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Aqui fica o
resultado da entrevista desses maníacos!
A Ritualis
Metallum Infernalium gostaria de primeiro que tudo
agradecer a Violator por nos terem
concedido esta entrevista, fiquem cientes de que se
trata de um prazer e uma honra enorme.
1 – Para as pessoas
que ainda não vos conhecem, podiam explicar-lhes de
que é que a vossa banda se trata e do que podem
esperar em termos em termos gerais?
Antes de
começar, gostaria de agradecer a Ritualis Metallum
por essa oportunidade e espaço e a todos os maníacos
que estão lendo essa entrevista! Valeu! Pra quem não
conhece, o Violator é uma banda de Brasília, formada
por quatro loucos que vivem e respiram thrash.
2 – Vocês são uma
banda relativamente recente, tendo em conta que se
formaram em 2002. Seria interessante saber como se
originou o grupo e se com algum objectivo especial
para além de criar boa música.
O Violator é uma banda de
thrash metal old school formada no começo de 2002
por quatro amigos que gostavam de andar juntos e
fazer música rápida. Muita coisa aconteceu desde
então, discos, turnês fora do nosso país, uma
centena de shows e muitas outras coisas legais. Mas
o espírito ainda continua o mesmo, fazer Thrash
Metal entre amigos e se manter underground.
Estávamos cansados de bandas que fazem música por
dinheiro ou status, então nosso objetivo sempre foi
a música.
3 – Violator pertence a uma vaga de thrash
metal old-school que tem trazido muito boas
surpresas como Evile, Gama Bomb e Skeletonwitch, mas
sobretudo no Brasil, a cena thrash é particularmente
boa, sendo estilo carregado por bandas como
Flageladör, Sodomizer, Bywar (com quem até lançaram
um split) e vocês. Porque crêem que o Brasil, no
meio de tantos outros países, foi capaz de criar um
núcleo musical de qualidade tal que o fizesse
distanciar todos os outros países?
Sinceramente, não sei qual é a
razão pra isso, mas o Brasil sempre foi um ótimo
celeiro de bandas thrash. Uma possível maneira de
explicar isso é que a truculência, a brutalidade e a
rispidez do Thrash combinam com um jeito brasileiro
de fazer metal. A gente não dá certo pra fazer coisa
bonitinha, arrumada. O nosso negócio é ser sujo e
fazer som feio. Essa "piãozice" brasileira combina
muito bem com Thrash Metal.
4 – Quando se
fala em Brasil e em thrash, é impossível não vir à
cabeça de imediato os fantásticos Sepultura e os
fabulosos Sarcófago. Com um legado tão pesado como
esse, sentem que estão a honrar o metal brasileiro
da maneira certa com a vossa música? De que modo
estas duas bandas vos influenciaram?
Nós somos loucos por velhas bandas
brasileiras. Mutilator, Executer, Explicit Hate,
Ratos de Porão e tantas outras. Quem tem que julgar
se estamos fazendo juz à toda tradição de bandas de
metal brasileira são as pessoas que nos escutam.
Seria um tanto pretensioso da nossa parte dizer que
estamos "honrando o metal brasileiro", não? De
qualquer maneira, eu sinto sim que o que fazemos com
o Violator é uma continuidade dos trabalhos e
esforços de muita gente, não só bandas, que vêm
construindo o underground brasileiro pelos últimos
25 anos. E com certeza, todas essas bandas tem uma
grande influência em nós, principalmente o velho
Sepultura!
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5 –Utilizando
o facto de ter falado nas influências de Sepultura e
Sarcófago, seria lógico fazer uma outra pergunta. Na
verdade gostaria de vos perguntar o seguinte: quais
as bandas que mais vos influenciaram e que crêem que
mais se reflectem na vossa música?
Nossas maiores influências são
bandas de thrash metal de todas as partes do
planeta. Bandas americanas como Vio-lence, Exodus,
Evildead, Whiplash, Dark Angel. Bandas alemãs como
Assassin, Kreator, Tankard. Bandas Canadenses como
Sacrifice, Voivod, Soothsayer. E é claro, bandas
brasileiras como essas que eu citei antes.
6 – Na década
de 80, nomes como Metallica, Slayer, Exodus, Dark
Angel entre tantos outros, deram a conhecer ao mundo
o thrash metal em todo o seu esplendor,
estabelecendo as bases para o futuro. Hoje em dia
diz-se que o thrash old-school que se anda a fazer
agora, prima apenas por relembrar o passado, em vez
de estimular a mente com algo original. Concordam
com esta afirmação ou parece-vos algo ignorante?
Se fazer
thrash é só emular um estilo de vida do passado,
cultivar um saudosismo do que não viveu e não criar
nada de relevante para o presente, eu não estaria
nem um pouco interessado em fazer thrash. Eu acho
que quando o thrash começou a renascer no começo
dessa década ele teve uma relevância muito
importante. Pelo menos em nossa cidade, estávamos
mergulhados numa cena new metal, moda, grana, status
eram os objetivos. Era preciso trazer a insanidade
de volta, a loucura nos shows, o espirito
faça-você-mesmo, a espontaneidade e a adrenalina. Só
por isso, acho que quem afirma que o thrash não é
mais relevante está falando uma grande bobagem. Não
que o que a cena thrash se transformou depois seja
uma grande maravilha, muito pelo contrário. Tem
muito muleque que entendeu o espírito thrash errado
e hoje se importa mais com tênis e coletes do que
com a música e isso é uma merda. De qualquer
maneira, tem muita gente criando coisas novas e
interessantes, construindo cenas underground muito
fortes e que são muito relevantes pra muitas
pessoas. No dia que eu achar que o Violator não está
criando mais nada de estimulante é melhor acabar a
banda. Nosso esforço sempre será esse e trata-se de
um grande desafio, fazer um som old school e ao
mesmo tempo que seja relevante 20 anos depois.
7 – O álbum lançado por Violator há dois
anos, Chemical Assault, caiu como uma bomba nos
ouvidos de toda a gente que teve a sorte de o
escutar. Por muitas pessoas foi até considerado o
melhor álbum de thrash de 2006, o que demonstra logo
a qualidade possuída nele. O álbum ficou exactamente
como vocês queriam ou se fosse possível alterariam
alguma coisa nele?
Muito obrigado pelas palavras.
O disco realmente retrata uma vida de dedicação e
amor ao thrash, fico feliz que conseguimos passar
esse sentimento. É claro que sempre tem coisas que
gostariamos de alterar, coisas que estamos tentando
buscar na próxima gravação, como um som mais
orgânico, sem triggers e com mais punch. Mas isso
são detalhes técnicos, tenho a consciência tranquila
de afirmar que aquele álbum foi a soma dos nossos
maiores esforços com as nossas melhores intenções.
8 – Pessoalmente, no momento em que ouvi a
faixa "Destined to Die", senti-me exactamente no
meio de um mosh de um concerto de Violator, tal é o
sentimento que é conseguido ser transmitido através
da música. Para além disso, o álbum tem outras
faixas muito boas como "After Nuclear Devastation" e
"Atomic Nightmare", que apareceu na compilação da
editora Earache "Thrashing Like a Maniac". De onde
surge a inspiração para comporem músicas tão
poderosas, de onde provém a inspiração para compor
em geral?
Mais uma
vez te agradeço pelos elogios. Boa parte desses
riffs vem da mente maligna do Capaça que é uma
máquina ininterrupta de fazer riffs. Ele vem com
aquelas bases carregadas de veneno e a gente junta
tudo tentando elevar a insanidade à última potência.
(risos) A nossa busca é em cada música é de fazer a
maior descarga de adrenalina e loucura thrash
possível. No show, nosso esforço por isso é ainda
maior. O Violator é uma banda de palco.
9 - Pelo que
sei, quando gravaram Chemical Assault eram apenas 3
membros que compunham a vossa formação. Para dar os
concertos, calculo que tenham necessitado de
arranjar primeiro um membro para completar o vosso
line-up ao vivo, pois de outra forma seria
impossível ter solos e rhythm guitar ao mesmo tempo.
Esse membro, acabou por ser Marcio Enei, se não
estou em erro. Como descobriram o Marcio e como
chegaram à conclusão que ele era o membro certo para
completar a vossa formação?
Você está certo. Nós éramos um
quarteto, mas pouco antes da gravação do Chemical
Assault, nosso grande amigo Juan Lerda teve de
deixar a banda para se mudar para a Argentina, país
em que ele tinha família. Resolvemos continuar como
um trio, e assim ficamos por 10 meses. Fizemos
alguns poucos shows e passamos boa parte desse tempo
enclausurados em estúdio gravando o álbum. A gente
sempre soube que precisávamos de um outro
guitarrista, mas além de ser um thrasheiro maníaco,
a gente queria encontrar um cara que fosse
gente-fina e nosso amigo. Encontramos o cara
perfeito na figura de pernas finas de Márcio Cambito,
que além de tocar com a gente é vocalista e
guitarrista da excelente banda de thrash Slaver.
10 - Já que falei em concertos, aproveito
para perguntar: Há hipóteses de o público português
ver-vos ao vivo, deste lado do Atlântico? Pelo que
já tive oportunidade de perceber, vocês contam com
muitos fãs aqui em Portugal, que ficariam bastante
agradados com uma passagem vossa por cá. Têm
previsto ou já ponderaram a hipótese de fazer um ou
dois concertos em Portugal?
Nós atravessaremos o Atlântico
agora em ezembro para três apresentações no velho
continente. Faremos shows na França, Bélgica e
Itália. Não sei se é muito inacessível daí de
Portugal, imagino que com essa história de União
Européia deve ter facilitado um pouco, mas estão
todos convidados para se juntar aos moshs e stage
dives nessas apresentações! Para Portugal,
infelizmente, não existem planos ainda.
11 – Ainda
acerca dos temas de Chemical Assault, é com bastante
prazer que observo que os temas giram bastante à
volta de thrashar, mas mais particularmente com um
holocausto nuclear. É assunto bastante abordado nas
letras das canções assim como na capa do CD.
Acreditam que esta sociedade caminha inexoravelmente
para a destruição à escala global, um verdadeiro
"pesadelo nuclear", sem hipóteses de salvação?
Acreditar em um caminho inoxerável é uma idéia muito
parecida com a noção de "destino", que não me agrada
nem um pouco. Destino é algo transcendente que é
muito parecida com a ideia de Deus, que eu prefiro
descartar. Acreditar que as coisas não tem solução é
um passo pra garantir a destruição. Quem faz o
destino, quem cria o futuro, somos nós agora, dia a
dia. Pensar os impactos da devastação do planeta e
da capacidade de auto-destruição humana, coisas que
estão presentes nas letras do Chemical Assault, são
uma maneira de tentar mudar alguma coisa não de se
conformar com a desgraça.
12 – "Chemical
Assault" foi lançado há dois anos, portanto as
pessoas encontram-se à espera de um novo lançamento
por parte de Violator. Já têm novos temas para o
próximo álbum e já começaram as gravações? Poderiam
fazer uma pequena antevisão para os leitores, sobre
como será o novo álbum?
Nesse momento estamos em
estúdio gravando novos materiais. São músicas que
comporão dois novos EPs: um split de nome "Thrashin'
the Tyrants" com a banda de São Paulo Bandanos e um
outro somente do Violator de nome "Annihilation
Process". Estamos tentando fazer um trabalho mais
orgânico de gravação, como disse antes. As músicas
seguem uma espécie de evolução natural do Chemical
Assault, mais rápidas, mais técnicas, talvez um
pouco mais sérias. Duas referências que me vem a
cabeça são os velhos trabalhos do Dark Angel e do
Sepultura. Mas isso é só minha impressão, quem ouvir
vai poder falar melhor.
13 – Apenas como
curiosidade, não pude deixar de reparar que o vosso
baterista tem o apelido igual ao do baixista e
vocalista de Slayer, Araya. É uma coincidência
enorme e algumas pessoas podem ver isso como algum
tipo de sinal. Acham que o destino está a querer
dizer-vos alguma coisa, como por exemplo, que vão
ter uma longevidade e reconhecimento como a banda de
Tom Araya?
Pô, sei
lá! (risos) Eu não sou entusiasta dessa história de
destino e o sobrenome (apelido em portugal, né?) "Araya"
do Batera é relativamente comum no Chile, terra de
onde os dois vieram. Mas de qualquer maneira, espero
sim que daqui a 20 anos a gente possa estar fazendo
thrash e ainda se divertindo muito com isso.
14 – Para finalizar,
ainda tendo em conta as lendas do thrash, gostaria
de saber qual a vossa opinião acerca do rumo tomado
pelos precursores deste género de musica,
nomeadamente a evolução de Slayer, Metallica e
Exodus. Crêem que foi uma evolução natural e
agrada-vos de alguma maneira ou nem por isso?
Olha só,
não me agrada nem um pouco os últimos álbums dessas
bandas. Escutei uma música nova do Slayer esses dias
e achei bem boa, mas do Divine Intervation pra cá
nada que eles lançaram me agradou muito. Com o
Metallica a coisa me desagrada ainda mais. Não me
sinto na posição de julgar o que cada um faz com a
sua banda, se eles sentiram vontade de mudar de som,
fazer outras músicas e curtir outras coisas são eles
que devem saber disso. As pessoas mudam, isso é
normal. Agora não quer dizer que eu ache certo
cultivar uma idolatria a certas bandas que chega ao
ponto de o que aqueles caras lançarem eu vou
automaticamente aprovar ou achar legal. Não, eu acho
uma merda e prefiro me centrar nas boas bandas novas
de thrash que tem surgido.
15 – Muito obrigado
por terem aceitado esta entrevista da Ritualis
Metallum Infernalium, esperamos que continuem o
excelente trabalho que têm proporcionado até agora,
esperamos por uma visita vossa a Portugal e
esperamos por um novo álbum ainda melhor que "Chemical
Assault". Têm mais alguma coisa a dizer aos leitores
portugueses?
Obrigado,
Ritualis Metallum Infernalium e a todos que leram a
entrevista! Matenham o espirito underground! UFT!
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