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O Programa
Ritualis Metallum Infernalium decidiu fazer uma entrevista à banda e aqui se
encontra, a entrevista que por Vittrah foi apelidada de "a última que vou dar":
1 – Obrigado por teres aceitado o nosso convite para seres entrevistado,
Vittrah. Podes começar por nos dizer como te surgiu a ideia para criar esta tua
banda?
Começou quando fui a uma loja de instrumentos musicais para comprar qualquer
coisa e vi lá uma guitarra escondida muito barata e comprei-a só para dar uns
toques... Isto em 2002 se não estou em erro. Nunca me tinha passado pela cabeça
fazer uma cena minha, até porque era baixista e devo confessar, era algo
limitado a nível técnico. De vez em quando pegava na guitarra e quando dei por
ela já tinha alguns riffs. Até que fiz as minhas duas primeiras músicas - "our
reign" e "soul misery". A partir daí comecei a pensar em fazer algo mais sério.
Começou assim...
2 – Até agora tens três lançamentos, duas demos e o recente EP “And so
emptiness prevailed…”, sendo que este último foi lançado através da Bubonic
Productions, o teu primeiro lançamento através de uma editora. Estás satisfeito
com esta parceria com a editora que contém lançamentos no seu catálogo de bandas
como Worship, Nivathe, Austerity e Bosque?
Claro que sim. O responsável pela editora é uma pessoa excelente e dedicada… A
gente deu-se muito bem a partir do momento em que nos conhecemos. Cumpriu com
tudo o que prometeu e a distribuição foi muito boa. É uma editora que tem
crescido imenso e tem futuros lançamentos que vão ser excelentes. Já para não
falar nos lançamentos passados de Doom com bandas de culto como Worship.
3 – Pessoalmente acho este teu último lançamento um EP muito bem trabalhado e
agradável de se ouvir. Gosto particularmente do trabalho de guitarra, que achei
extremamente envolvente nalgumas alturas e acho que a nível vocal também fiquei
impressionado. Estás satisfeito com o produto final atingido em “And so the
emptiness prevailed…”?
Obrigada pelos elogios. Podia ter ficado muito melhor. Acho que me precipitei um
bocado. Tive algumas pessoas que me quiseram ajudar e com o contributo delas,
iria ficar muito melhor, por se tratar de pessoas que iriam com toda a certeza
acrescentar muito. Por exemplo, um dos guitarristas que tocou comigo ao vivo,
pôs muitas partes novas na guitarra no último gig que ficaram muito bem e foi
pena não as ter gravado assim. Também tinha tudo acertado para ter um baterista
a gravar, mas por causa de algum desleixo meu, isso não veio a acontecer (Ainda
por cima, eu que sou muito mau programador de baterias, admito)... Já para não
falar na parte vocal, que também iria ter a ajuda de um vocalista de uma
excelente banda de BM portuguesa. Por outro lado não me arrependo muito porque
tudo o que está gravado foi feito por mim, o que para mim tem mais valor. Em
relação á produção também podia estar melhor, mas a ambiência melancólica e
desoladora que pretendia, em certa parte ficou captada. À excepção do que disse
antes, fico satisfeito porque foi o que saiu na altura e foi algo que me deu
muito prazer fazer…
4 – Para black metal baseado em temas como misantropia, solidão e morte, a
sonoridade encontrada é bastante mais rápida do que se poderia supor, isto sem
querer generalizar um género tão polivalente a nível de temas e de som, como é o
black metal. Este tipo de sonoridade, aliás, todo o teu trabalho musical, tem
como bases que influências? Quais as bandas que pensas que possam ter
influenciado mais o teu som?
Bandas como Inquisition, Bilskirnir, Moonblood, Judas Iscariot, Burzum são
bandas que eu nunca me canso de ouvir e podem ter tido a sua influência. Mas
Vittrah apanhou duas fases minhas diferentes. Antes de me tornar mais esquisito
a nível de gostos musicais, era completamente fanático por tudo o que fosse
metal. Gostava de quase tudo que fosse death, heavy, trash e black... E
realmente quando comecei, nota-se influência de bandas que eu ouvia muito na
altura como Naglfar ou Dissection. Com o passar dos tempos comecei-me a desligar
um bocado das bandas mais mainstream porque era no BM underground que estavam a
maior parte das bandas que eu hoje consigo ouvir regularmente. E também ganhei o
bichinho do folk em que gosto muito de Sonne Hagal, Werkraum, Darkwoods, etc...
5 – Grande parte dos artistas retira inspiração de experiências pessoais ou
de livros, mas a verdade é que a inspiração pode vir de qualquer coisa neste
mundo. Gostaria que nos dissesses de onde provém a maior para da inspiração que
utilizas para compor a nível sonoro e lírico.
Tal como para muita gente, a natureza é um dos primeiros aspectos que tem que
ser realçado. A nível de literatura, só mesmo livros de fantasia, que é algo que
eu leio muito... No oposto também serve de inspiração a nível lírico a
decadência humana, como a falta de sentido que é estar vivo, a desolação por as
coisas não serem nem correrem como nós queremos e a minha total vontade de não
ser influenciado pelas pessoas e pela sociedade. Procuro seguir o meu caminho,
sem ter que provar nada a ninguém e andar sempre de consciência tranquila, mesmo
neste mundo decadente em que vivemos. Há valores que devemos ser sempre fiéis.
Com isto, tudo é pessoal e só sobre mim, por isso não vale a pena dizer mais
nada. Não só porque não tenho muito interesse em entrar em pormenores nem acho
que teria muito interesse para as pessoas que possam ler esta entrevista.
6 – Sei que antes de criares o projecto Vittrah tocaste na banda Humanart.
Foi uma experiência que guardas com alguma saudade e que sentes ter-te ajudado a
dar-te força para criar Vittrah?
Sim, claro que tenho saudades desses tempos, principalmente da primeira formação.
Na altura era um puto e a banda foi a melhor coisa que me aconteceu. Vivia
aquilo intensamente. Os melhores momentos da minha vida foram nessa altura,
principalmente porque faziam parte da banda, os meus amigos inseparáveis. Nesses
tempos, devido á nossa inocência e irresponsabilidade própria da idade,
passávamos por grandes momentos... Depois disso, tivemos que mudar algumas vezes
a formação, o que atrasou sempre a evolução da banda mas pelo menos fiz boas
amizades com o pessoal que foi entrando. Acabou quando senti que já não tinha
condições para continuar, ate porque os meus gostos musicais foram mudando, para
além de outras situações. Infelizmente acabou de uma forma que eu não queria, em
que inconscientemente agi de uma maneira não muito correcta para com um dos
membros, o que me arrependo muito, mas já ta feito e já não há nada a fazer. Mas
sim, Humanart teve um papel muito importante para a minha felicidade enquanto lá
estive... Tal como nos Infernal Kingdom, em que tive lá no inicio, ainda a banda
chamava-se Stock Morto, em que passei lá um bom ano com boas recordações…
7 – Vittrah é com efeito um “one-man-project”, todavia consideras a
possibilidade de contar no futuro com umas aparições especiais em forma de
guests ou quem sabe, a inclusão de um outro membro na banda?
Não, Vittrah sou eu... É 100% pessoal… Agora, guests para um determinado registo,
ja era na boa como teve para acontecer.
8 – Vittrah já tocou ao vivo algumas vezes, embora eu não tenha tido a
oportunidade de ver, tendo em conta que na altura não sabia sequer da sua
existência. Sinto-me portanto com alguma curiosidade em ver Vittrah ao vivo,
após ter ouvido o novo EP. Achas possível vir a tocar ao vivo outra vez, num
futuro não muito distante? Tens planeado algum concerto para breve, nem que seja
apenas para dar a conhecer às pessoas o teu último trabalho?
Em relação aos concertos, arrependo-me um bocado dos que dei no passado, com
excepção deste ultimo no Porto com Dolentia e Flagellum Dei. Foi bom ter tocado
com estas duas bandas mas o que mais me marcou foi a dedicação que o pessoal que
tocou comigo, teve, para darmos um bom concerto... Foi uma semana a dar no duro
e eles foram impecáveis… Tocámos com bateria real e por isso o concerto ganhou
muito…
A longo prazo, será difícil haver uma nova aparição de Vittrah aos palcos… Não
ando com muita vontade e se houver terá que ser algo especial… Gostava de tocar
um dia na serra da estrela por se tratar de um sitio que eu gosto de ir ver lá
concertos e por ser um sitio que eu gosto muito… Mas não sei, o futuro dirá… Por
enquanto este projecto está morto…
9 – Como tem estado a ser recebido o “And so emptiness prevailed…”? Tens
recebido boas indicações até agora? Sendo que ainda é algo cedo, não resisto a
perguntar se tens em mente já um sucessor para o EP, quem sabe sobre a forma de
CD-r, para o ano que vem?
Muitas tapes foram para trocas com outras editoras pela Bubonic e as pessoas que
possivelmente compraram, eu não as conheço. Por isso não sei como foi recebida.
Aos amigos mais chegados a quem eu ofereci acho que gostaram, ou então mentiram
para serem simpáticos, hehe. Não é cedo, as músicas estavam prontas desde
Fevereiro de 2007. Mas houve um problema, que a editora War Productions teve (que
me foi alheio), e que não lhe foi possível lançar estas músicas em CD, como
estava previsto. Tive vários meses á espera, o que me desmotivou um bocado.
Neste momento o projecto está parado e se por ventura voltar a pegar nele, será
quando tiver outra vez vontade e motivação. Não há nenhuma razão em especial
para ter parado... Apenas ando sem vontade e inspiração. Para cenas forçadas,
prefiro estar quieto... Por isso, não tenho em mente nada para a sucessão do EP.
Talvez um dia…
10 – Pertencendo tu, a uma das melhores bandas da “nova vaga” de black metal
dentro do espectro nacional, vejo-me na obrigação de te fazer esta pergunta:
Qual a tua opinião acerca do underground nacional? Crês ser maioritariamente bom
e original ou fraco e desinteressante? Algumas sugestões que possas dar aos
leitores para audição?
Uma das melhores bandas???!!! Acho que tas a ser algo exagerado mas obrigada na
mesma… Como em tudo, há coisas boas e coisas más... Mas respeito todas as bandas
que não me dizem nada, desde que para os seus elementos seja algo que façam por
devoção á causa essencial e não por outros motivos extra musica, como
protagonismo ou modas… Ao nível do BM houve uma explosão de muitas e boas bandas…
Quando comecei a ouvir metal, só conhecia Celtic Dance, Decayed, Fili Nigrantium
Infernalium e pouco mais dentro do género em Portugal…
Devo confessar que hoje em dia já não tenho tanta vontade de ir ver concertos
como tinha, ou tentar estar a par de tudo o que se faz por cá, mas a minha ideia
do metal em geral é positiva, seja que estilo for.. Agora claro, a magia que
havia á uns anos atrás, perdeu-se muito devido á internet, às novas tecnologias
e á excessiva exposição do BM principalmente… Mas isso toda a gente já sabe e
não há nada que se possa fazer…
Bandas que posso sugerir são bandas de BM que é o que ouço regularmente… Não vou
estar a dar novidades nenhumas, provavelmente a maior parte das pessoas que
lerem a entrevista já as conhecem. Começo com Nortada Gelada (o som deles é
incrivelmente cativante), Irae, Dolentia, Inverno eterno, Ars Diavoli, Flagellum
Dei, Tumulum, Inthyflesh, Vapulah, Lux ferre, Penitencia, Coldblooded(pena terem
acabado cedo), entre muitos outros..
11 – Com esta nova onda/trend do black metal denominada
“depressive/suicidal”, assiste-se a uma moda que traz tanto de bom como de mau.
Qual a tua opinião sobre este sub-género de black metal que anda a monopolizar
todas as atenções?
Achei piada ler em qualquer sitio, alguém dizer que estas bandas são tentativas
frustradas de fazerem um novo "suicidal emotions"..Realmente há muitas bandas
deste estilo que são cópias autenticas umas das outras e que chateiam devido á
sua abundância… Também achei piada ler uma entrevista dos MACKY em que ele dizia
que ta farto de ver pessoas a dizer "ai que eu sou tão triste, quero me suicidar…
Então que se matem e deixem-se de merdas."…
Eu pessoalmente gosto de algumas bandas… Não tenho a certeza, mas acho que
bandas como Wigrid, Austere, Hypothermia,Be Persecuited entre muitas outras,
pertencem a este género, e são bandas que eu ouço regularmente.
Mas como disseste, se isto é moda, o mais certo é daqui uns tempos desaparecer.
Eu é que pessoalmente, estes rótulos não me dizem nada… A minha distinção é se a
banda me agrada ou não..E muitas vezes nem são as bandas mas sim os trabalhos..
12 – Penso que seria interessante perguntar-te se vês com bons olhos o
lançamento de um split com mais uma ou duas bandas nacionais. Com tantas boas
propostas nacionais no género, como Penitência e Vapulah, não me parece
desajustada a ideia de ver um split por exemplo com Vittrah e estas duas bandas.
E quem diz estas bandas, diz também muitas outras que por aí andam por Portugal.
Tens alguma banda que gostasses de ver num split contigo?
Em relação a Penitência e Vapulah, sou suspeito, devido á aproximação que tenho
com os membros dessas bandas, que são pessoas com quem convivo, principalmente
os dois membros de Vapulah. Tirando isso, como gosto muito do som dessas bandas,
seria uma honra e algo que faria com muito gosto… Mas como não depende só de mim
e não sei qual o futuro de Vittrah, é algo que não me preocupa muito… Em relação
a outras bandas, teria que ser na mesma situação dos Vapulah ou Penitência...
Por falar neles, espero bem que o split esteja cá fora este ano…
13 – Mais uma vez obrigado pela entrevista, gostarias de anunciar ou
expressar alguma coisa aos leitores?
Um abraço a todo, em especial ao pessoal da RMI.
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